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Julho de 2014

Canteiros de obras mais sustentáveis



Todos os dias de três a quatro mil toneladas de resíduos são gerados pela construção civil em Pernambuco. O dado, que consta do estudo do grupo de pesquisa de Engenharia aplicada do Meio Ambiente da Universidade de Pernambuco (Ambitec), assusta não pela sua grandeza, mas pela destinação final que se é dada aos insumos. Parte deles ainda é pouco aproveitado ou totalmente descartado, o que acarreta em impactos ambientais, econômicos e sociais.

Algumas empresas já estão mudando seu posicionamento e passaram a investir em novas tecnologias de construção e em projetos não só de reaproveitamento do material, mas também de cuidados com energia, água e saneamento nos próprios canteiros de obra.

Nas obras da Pernambuco Construtora, por exemplo, já foram implantadas ações de reúso da água, com o reaproveitamento da água dos lavatórios nos sanitários para o mictório, diminuição de energia elétrica, com a utilização de telhas translúcidas, que fornecem energia solar e ainda gerenciamento de resíduos, com coleta seletiva.

“Há um tempo percebemos que na hora que criamos uma consciência sustentável dentro do canteiro isso vai repercutir em outros avanços. Não só para empresa, mas para o funcionário e a sociedade como um todo”, acredita Eduardo Wanderley, diretor técnico da Pernambuco Construtora que conta com certificação ISO 9000 de qualidade e o OHSAS, de segurança, higiene e saúde no trabalho.

Com esse tipo de iniciativa o setor de construção civil garante seu crescimento e preserva os recursos da natureza. “Os benefícios dessas atitudes são inúmeros. Reduz os custos da construção civil, seja pelo não descarte de material ou pela redução de aquisição de matéria-prima natural. Isso sem falar dos ganhos ambientais, pois a destinação adequada desses resíduos evita o descarte ilegal do meio ambiente e ainda reduz a exploração de jazidas de areia, por exemplo”, analisa a professora da UPE e membro do grupo Ambitec, Stela Fucale.

Já a Odebrecht aliou o cuidado ambiental com o social. Com os resíduos de suas obras, a empresa capacita moradores do entorno dos empreendimentos para produção de artesanatos. São usados desde papelões descartados até fardamentos velhos dos funcionários. “Nosso objetivo é estabelecer uma relação a longo prazo com os lugares onde nos instalamos. Desenvolver a região do ponto de vista humano, ter responsabilidade econômica, social e ambiental”, ressalta Luis Henrique Oliveira, diretor de incorporação imobiliária.

A preocupação com o meio ambiente cresce de tal maneira que verificar se uma construção é considerada verde virou item obrigatório na análise dos clientes. Hoje, além dos canteiros, a sustentabilidade vem sendo empregada dentro das próprias moradias. “É uma tendência mundial. As pessoas passaram a cobrar características sustentáveis, como energia solar e reaproveitamento de água”, avalia Oliveira.

TECNOLOGIA

Outra maneira de garantir o crescimento sustentável do setor é investindo em novas tecnologias de construção. Com elas é possível diminuir ainda mais a quantidade de resíduos gerados por obras. Hoje já existem modelos pré-fabricados que reduzem, inclusive, o tempo de construção. “Antes a gente tinha o que eu chamava de artesanato de tijolos. Era um em cima do outro com o pedreiro montando. Agora em dois dias você faz uma casa. É só armar a forma metálica e concretar que está pronta”, avalia o engenheiro e professor da UFPE Joaquim Correia. Já Stela Fucale ressalta que para uma obra ser sustentável, a preocupação com o meio ambiente deve começar desde a concepção do projeto, passando pela escolha dos materiais que serão usados, e pela tecnologia e processo construtivo.

Na cidade que será construída no entorno do estádio para a Copa do Mundo de 2014, em São Lourenço da Mata, a tecnologia foi a aliada principal para que o projeto fosse sustentável. Concebido para ser a primeira smart city do Brasil, o espaço terá gerenciamento de energia e adotará sistemas integrados, além de usar água do próprio Rio Capibaribe para o paisagismo local. “Isso tudo movimenta o mercado e exige dos empreendedores um olhar ainda mais voltado para o futuro”, afirma Marcos Lessa, diretor-presidente do Consórcio Arena Pernambuco.

 






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